terça-feira, 30 de dezembro de 2008

clichê

01h51min - 31/12/08. Fones no ouvido, McFLY na lista de reprodução, dedos no teclado, mente pronta. Iniciada a reflexão de final de ano, retrospectiva, besteira, como queiram chamar. 2008 está acabando, hoje é seu último dia. Junto com o ano que está por acabar, acabou a escola. Talvez seja em volta disso toda retomada de ano, afinal, é muito marcante. 2008 foi um ano de mudanças. Em todas as áreas da minha vida. Foi um ano de crescimento também, talvez forçado ou talvez involuntário. Foi um ano diferente dos outros, mesmo que em todo final de ano nós constatemos isso. Porque, obviamente, todo ano é diferente. O que acabou é quase sempre bom, mas o que está por vir tem que ser melhor ainda.
O início de 2008, para mim, foi horrível. Minhas amizades se despedaçavam na minha frente e eu nada conseguia fazer. As únicas forças que eu tinha eu juntava para pegar um ônibus, uma vez por semana, e me encaminhar até a terapia. Para assim conseguir encarar o próximo dia sem desabar na frente de todos aqueles que até então eu não sabia se queriam minha ascensão ou minha queda. A terapia foi fundamental nesse ano para mim. Foi assim que consegui, depois de muito sofrer, chorar, me revoltar, entender que tudo aquilo talvez fosse uma crise passageira e que a amizade que nos ligava era mais forte que tudo isso. Isso vale não só para a amizade especial como para o grupo também. Depois de ambos lados cederem, as coisas foram acontecendo naturalmente. As amizades voltaram, talvez não como antes. Agora somos mais maduros, ou não. Somos apenas diferentes. Mudamos em conseqüência de tudo que nos cercava, de todo o tempo que estava passando. Mas mesmo com todas as mudanças possíveis, todos os desentendimentos, todas as mágoas que poderiam ficar, a amizade prevaleceu e aqui estamos, planejando a despedida de 2008 e, com certeza, pensando em 2009 sorrindo. Não há dúvidas de que aqueles amigos ficarão para sempre comigo, no meu coração e eu espero, de verdade, que presentes em minha vida.
O melhor do ano, sem dúvidas, foi a união dos grupos que naquela sala de aula existiam. Vieram as noites, as aulas mais divertidas, os provões coletivos. Os jogos, as piadas, as brincadeiras, as músicas, as comidas, as (muitas) bebidas, a viagem... Tudo, tudo, tudo devidamente registrado na minha cabeça em forma de lembrança e em meu coração como sentimento. Certas coisas não tem como apagar e nesse ano eu tive certeza disso. Se existe um sentimento capaz de transformar as pessoas e nos fazer feliz constantemente, esse sentimento é o amor. Mas não digo o amor, exclusivamente, entre casais. Eu falo de amor sincero, amor de amigo, de irmão, amor que nós sentimos por quem nós faz bem e por quem nós queremos o melhor. Amor esse que não faltou esse ano.
O ano da despedida da escola, para mim, foi também a despedida de outra coisa que doeu demais. O handebol. O esporte em si, que é a minha paixão, o meu vício, a minha vontade de me superar, a minha atividade, mas também aquilo que me acalma. A convivência com as gurias, com pessoas que fazem parte da tua vida ativamente, que são especiais para ti. Tudo, sabe. Eu realmente senti demais a perda de todos os treinos e jogos. Não tem explicação o que eu sinto longe da quadra. Parece que eu não tenho onde extravasar meus sentimentos. Talvez seja até por isso que tenha voltado a escrever. Eu não sei. A única coisa que eu sei é que eu preciso demais jogar, e que eu vou sentir muita, mas muita saudade do meu handebol escolar.
A escola acabou e eu tenho certeza que vou sentir muita saudade. Porque eu sempre fui muito apegada aquele lugar, todo mundo sabe disso. O ambiente escolar em si me fascina. Foi isso que me motivou, também, a ser professora de educação física. Ah, os professores... Nossa, vou sentir muita falta de conviver diaria ou semanalmente com eles. Cada um tem lugar no meu coração e é incrível o modo com que alguns me marcaram. Não pelas matérias e conteúdos que ensinaram, mas sim, pelas pessoas que são, pelo carinho que tiveram comigo e pela admiração que despertaram em mim. Tudo na escola me faz lembrar de bons tempos. Em todas as idades. Desde piá até agora. Por isso pretendo voltar. Voltar do outro lado, vendo tudo de um outro ângulo, mas sem abandonar os sentimentos que sempre senti.
Nesse ano que está acabando, além das amizades de muito tempo, ganhei muita gente também. Pessoas que me fizeram bem o ano inteiro e que eu espero que faça por mais muito tempo. Sem contar na amizade de alguns anos, mas que está sempre no mesmo lugar, sempre pronta para me fazer sorrir. É de amizade assim que eu preciso e quero sempre, que continua sendo a mesma pessoa independente de tempo e circunstância.
Nos anos anteriores eu fui mais criativa, mas eu não estou no auge de minha inspiração. Acontece que 2008 está acabando, mas eu ainda não sinto ele terminado. Talvez porque não tenha me acostumado com todas as mudanças que 2009 vai trazer para a minha vida. Mas, mesmo assim, com todas as incertezas que me cercam, eu espero que 2009 seja muito, mas, muito, bom. Em todos os aspectos. Que minhas amizades continuem fortes e presentes. Não digo todas, porque também sei que as coisas não são tão fáceis, mas as essenciais. Que meu coração continue bem, que meu amor continue do meu lado como sempre esteve e como eu quero que sempre esteja. Que minha escolha, até então, profissional, seja certa, coerente com tudo que eu quero e sinto, e que a vida nova, de universitária não seja, para mim, um bicho de sete cabeças. Enfim, eu espero que tudo dê certo, mas, que, quando não der, eu tenha as pessoas certas para me ajudar quando precisar e que eu possa fazer isso com todos que precisarem de mim também. 2008, obrigada por tudo, foi um ano inesquecível e muito intenso. 2009, por favor, me guarde o que for de melhor.
02h30min - 31/12/08 ainda. Continuo com fones ouvindo McFLY. Finalizei meus pensamentos reflexivos e nostálgicos, começo, agora, com os planos e idéias para o próximo ano. É um baita clichê. Relembrar o ano velho, planejar o ano novo. E eu? E eu continuo a-d-o-r-a-n-d-o clichês.


another year over...

domingo, 14 de dezembro de 2008

leave tomorrow, live tonight

É incansavelmente repetitivo. Mas adoravelmente divertido. Uma casa, as mesmas pessoas, música, comida e um pouco (ou muito) de bebida também. Pronto. Temos uma noite e muita história pra contar. Sempre diferente, porém, com uma pitada de repetição. Uma ótima repetição, diga-se de passagem. Porque cada vez que nos encontramos é como se esquecessemos de tudo. Tudo que nos atormenta, tudo que nos cerca, tudo que pode ser motivo de tristeza. Nós estamos ali. De corpo, alma e muita, mas muita vontade de fazer a noite durar para sempre. E por que isso? Talvez ninguém saiba. Um dia viraremos apenas lembranças, pelo menos muitos de nós, não é verdade? É. Mas viraremos as melhores lembranças. Dentro de nós mesmos. Nos marcaremos pelas melhores lembranças da juventude, do tempo de escola, do tempo em que nada poderia nos parar. Nem escola, nem provas, nem pais, nem qualquer vontade sobrenatural. Somos jovens, e jovens acham que não tem limite. E essa é a graça de ser adolescente.
Rir de qualquer coisa, conversar sobre qualquer coisa, ouvir qualquer coisa, beber qualquer coisa e comer qualquer coisa. Não importa. Nada importa. Estamos ali e sabemos por quê. Estamos ali para nos eternizar, e fazemos isso a todo minuto. Seja jogando sinuca na casa do Otávio, comendo churrasco ou galeto, reclamando que a música já tocou, pulando na piscina da Luísa, dançando enlouquecidamente (timidamente também) as mesmas músicas sempre. Não interessa. O que interessa é que nós estamos nos divertindo e sabemos, porque sentimos, que seremos pra sempre. Seja pra sempre juntos, pessoalmente mesmo. Ou pra sempre dentro do coração. Não tem diferença. Afinal, o sentimento não tem diferença. É amor e ponto final.
Estamos saindo da escola, é verdade, isso pode dificultar as coisas. Talvez nunca mais tenhamos essa disposição que temos agora. Amanhã podemos não ter tempo, ter compromissos, ter que simplesmente fazer outra coisa. É por essa dúvida que corrói o coração e a mente de todo aluno de terceiro ano, que fazemos o que fazemos. Que marcamos noite em cima da hora, que bebemos até não querer mais, que gritamos até acordar os outros, que fazemos coisas muitas vezes infantis. É por essa dúvida clichê que temos sede de fazer diferente. É impulsivo, é inconseqüente e inexplicável. É a vontade de nos tornarmos inesquecíveis para nós mesmos. E sabe o que eu penso? Estamos nos eternizando de uma forma tão intensa que nem se quisessemos nos esquecer conseguiríamos.



e todos conhecem o fim

é onde você espera que você nunca diga
"eu poderia ter feito melhor"
e eu manterei o que conta
e jogarei fora o que realmente não importa
e eu quero morrer
no lugar mais alto
não é o fim
até ser o fim
eu quero ficar aqui para sempre
porque todos nós caímos

pedaço de The End - McFLY

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

all about you

Estava eu ontem em minha cama, apreensiva, afinal, teria prova de matemática hoje. Estava agoniada, não conseguiria dormir tão cedo. Peguei meu mp4 (melhor compra do ano, certo) e comecei a ouvir música. Mas não qualquer música. Comecei a ouvir McFly. Coloquei na pasta mais escutada do meu querido aparelho que agora não sai mais de perto de mim. Fui me acalmando, acalmando, até que comecei a bocejar. Adormeci.
Estava eu hoje, após a prova de matemática, completamente frustrada. Depois de estudar química com o Mateus, peguei o ônibus rumo a minha querida casa. No ônibus, ainda pensando sobre a maldita prova e como eu era burra para exatas, peguei meu aparelho novamente. Fui para casa ouvindo McFly. Quando vi, me perdi em pensamentos, mas dessa vez, bons.
Cheguei a seguinte conclusão: McFly, para mim, é música para qualquer ocasião. Seja quando for. Posso estar de ótimo humor, péssimo humor, triste de verdade, nostálgica, ou simplesmente com vontade de ouvir música. É simples, porém, enorme. Incrível e banal.
Mas não é só quem gosta de McFly que sente isso, não é esse o meu objetivo. E, sim, refletir sobre o poder da música na vida das pessoas. Ok, eu não entendo nada de música na prática, sabe, instrumentos, sons, qualidade e blábláblá. Eu entendo de música pelo coração. Eu ouço. Gostei? Seja o que for, eu vou ouvir. Não gostei? Passa batido. Mas as que tu sente, as que tu não consegue ficar sem ouvir, muitas vezes por um diazinho, é a questão. Aquelas que traduzem momentos de uma forma inexplicável. As trilhas sonoras da vida, sabe? É difícil, pensando, achar uma música que defina tal momento da tua vida, ou tal pessoa, mas quando tu menos espera, ouve uma música e sente. Sente o quê? "É essa". Eu posso ser louca, maluca, completamente fora da casinha. Mas eu sinto isso. E, nossa, é sempre!
Eu adoro música. Confesso que não sou eclética. Podem me xingar, mas eu não consigo. Mas quando eu gosto da música, eu gosto. E, simplesmente, não estou nem aí para o que possam pensar. Não tenho vergonha das músicas que eu gosto, nunca tive. Por isso que eu dou um conselho, do fundo do meu coração: esqueçam a opinião dos outros e todos se sintam livres para gostar e ouvir o que bem entender. Acho música fundamental na vida de alguém. Mas, mais fundamental que a própria música, é ter a liberdade de escolher o que ouvir sem sofrer preconceito.
Estou ouvindo McFly escrevendo isso. Para variar só um pouquinho. E como me faz bem. Nossa, não tem explicação. É realmente sentir a música. Para mim, é completamente terapêutico. Nunca vou cansar de agradecer a Jubi por me apresentar a melhor banda do mundo. E por compartilhar momentos perfeitos (com ela, óbvio) por causa dessa banda.
Música... O remédio para tudo, sem dúvida. E se não for o remédio, é a melhor conselheira.

lies, lies, lies...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

presa dentro dessa dor

Sabe, convivo com uma sentimento há um tempo já. Talvez, contando desde o início, há uns dois anos. Quando eu conto para alguém, mesmo que superficialmente, ouço um "que frescura", "isso é coisa de quem não tem com o que se preocupar", "ah, Flávia, vai arrumar o que fazer". E dói. Dói sabe por quê? Dói porque ninguém sabe o que é ter medo de andar na própria casa. Ninguém sabe o que se passa dentro de mim e o quão incontrolável esse sentimento é. Sair depois de escurecer de casa? Talvez. A pé? Nunca. "Flávia, pega nãoseioque lá no quarto pra mim?". De dia? Claro. De noite? Hahah, vai tu. Mas, não é preguiça, não é frescura, não vontade própria. É medo. Um medo dominador, que insiste em me controlar e não querer deixar eu fazer as coisas básicas da rotina. Repito, ninguém sabe o que é sentir isso. Sentir-se impotente, imbecil, completamente inútil. Eu pareço uma criança. Na verdade, nem mais isso eu pareço, porque nem as crianças tem medo disso. Eu não entendo. Só o que eu sei, é que tem sempre alguém me olhando ou pronto para me fazer mal.
Eu sou egoísta. Sempre acho que tem alguém pronto para me fazer alguma coisa, para me matar, seqüestrar, ou qualquer outra coisa. E ninguém sabe como eu gostaria de me livrar disso. Com a terapia tinha diminuído muito, eu tava progredindo demais. Mas quem disse que eu tenho dinheiro para fazer terapia uma vez por semana? E ainda dizem que o dinheiro não compra a felicidade. Não compra de quem não tem medo de transitar em sua própria casa de noite. Porque para mim compraria, sim.
Eu olho para o escuro, eu ouço um barulho... Qualquer coisa assim, minhas pernas vacilam, meus olhos até enchem de lágrimas. Calma, Flávia, dessa vez foi uma madeira estalando ou um simples fruto da tua imaginação. O problema é que eu só tenho noção disso depois que o desespero já chegou. Porque o certo, de uma pessoa que não tem medo, seria "ah, deve ser uma madeira estalando". E caso não fosse a pessoa ficaria preocupada. Eu não. Para mim é 8319173247346 vezes mais fácil ser um ladrão, um maníaco, um psicopata, do que uma simples madeira do salão. E, poxa, é complicado tu te sentir presa, refém de ti mesma. Um medo te controlando, te dizendo o que tu não deve fazer, mesmo que inconscientemente.
Às vezes eu canso, sabe. Canso mesmo de ser assim. Canso porque me limita, porque tem coisas que eu, simplesmente, não consigo fazer, não tenho coragem. Canso porque tenho que ouvir de todo mundo que é frescura. Canso porque até uma criança de 5 anos é mais corajosa do que eu. Mas eu não vou desistir, aliás, eu não posso desistir de mim mesma. Afinal, eu estou crescendo e de uma vez por todas, eu vou ter que me livrar disso. Por isso que escrevo também. Porque liberta. Porque parece que quando eu escrevo ou falo sobre isso um pedaço do medo parece que sai junto. E fica só um enorme bolo que eu vou ter que destruir arrancando pedaço por pedaço.


presa dentro dessa dor, sem ninguém pra te ajudar
presa nesse corredor, desistindo de tentar
presa dentro dessa dor, não há como te salvar
eu vou onde você for

europa - fresno
(música que me arrepia, demais)

sábado, 6 de dezembro de 2008

stay forever

Depois de ler o blog do Leonel e o do Bruno me deu uma saudade de escrever muito grande. Aliás, eu sinto isso constantemente, mas nem sempre eu consigo. Saudade dos tempos em que meus sentimentos eram revertidos em palavras em segundos. Mas eu continuo escrevendo com o coração. Acho que nunca vou mudar isso. Por isso, por influência, vim aqui escrever também. :)

Esse final de ano pesa tanto. Embora todos falem isso, por mais que tu já saiba que no terceiro ano tu vê como as pessoas são importantes, como o clima da escola é incomparável, como tu vai sentir falta disso tudo... Tu só tem a real visão disso quando é contigo. Como quase tudo na vida, na verdade.
Nesse final de ano eu percebo claramente: como eu vou sentir falta da minha turma. Porque, sério, eles são muito importantes. Eu sei que muitas pessoas eu nunca mais vou ver, ou vão se tornar simples cumprimentos na rua. Mas tudo que nós vivemos, tudo que nós sentimos juntos, toda a nossa história, vai ficar pra sempre guardado dentro de mim. Todas aquelas lembranças de infância e adolescência, vividas com tanta intensidade e vontade. Isso não tem preço e nunca vai ter.
Mas, tem uma coisa que pesa demais no meu coraçãozinho: os amigos. Eu digo os amigos de verdade, sabe? Eu ainda não consegui me imaginar sem eles todo dia. Eu sei que nossa amizade vai muito além da escola, não tenho dúvidas. Mas é complicado administrar isso agora, porque tem muita gente ali que eu cresci junto. E gente que chegou um pouco mais tarde, mas que se tornou parte de tudo isso com uma rapidez absurda. Talvez seja isso que mais mexa comigo, os meus amigos. Eu sempre tive paixão pelos meus amigos. Por todos eles, de todas as fases da vida. Sempre fui de defender meus amigos demais, sempre fui de amá-los demais também. Desde que me conheço por gente sou emotiva desse jeito e louca por minhas amizades. As pessoas me marcam com muita facilidade, e eu me apego com muita facilidade também. Não que isso seja ruim, é bom, na verdade, o problema surge quando algum laço é rompido ou quando as coisas precisam mudar. Como vai acontecer a partir do ano que vem.
Mas uma coisa eu posso garantir: os meus amigos, esses de agora, esses de sempre, vão morar no meu coração pro resto da minha vida. Talvez nem todos nos falemos daqui um tempo, e talvez todos nós nos apeguemos a outras pessoas também. Mas não importa. Tudo que nós vivemos, tudo que nós sentimos, todas as nossas histórias... São eternas. Eternos como todos os meus amigos no meu coração, eternos como todos esses anos escolares. Eternos como todos esses meus sentimentos que eu teimo em converter em palavras.


galaxy defenders, stay forever
never get enough of you...