Incrível como as coisas andam em círculos. E as pessoas não mudam. O que te machucou ontem, pode vir a te machucar hoje, de novo. Quando as pessoas nos magoam uma vez, a primeira coisa que pensamos é: "tudo bem, passou, mas nessa eu não caio de novo". Que belo e doce engano. Se alguém consegue, me ensina, por favor, porque eu tenho problemas com isso. Eu sempre espero o melhor das pessoas. Eu sempre espero que as pessoas terão comigo a consideração que eu tenho por elas. Não, Flávia, as coisas não funcionam assim. Mesmo a convivência por anos com uma pessoa não te dá, completamente, a idéia de quem ela seja e a previsão de suas atitudes. As pessoas nasceram para surpreender. Tanto pro bem, quanto pro mal. Incrível. Eu sempre me surpreendo.
É aquela velha história do orgulho. Aquele que por muitas vezes parece não existir em mim. Por que é sempre do mesmo jeito? Por que as pessoas que eram para te conhecer melhor, ignoram completamente a tua natureza, o teu jeito de ser, e te machucam sempre da mesma forma? Como se não doesse. Pior, como se não soubessem que dói em ti. Eu tento, eu fico horas pensando se o erro não está comigo, se eu não faço tudo errado. Desculpa, mas se tem em um assunto que eu tento ser o mais competente possível é na amizade. Eu sempre fui assim, eu sempre tentei mostrar para todos os meus amigos o quanto eles são importantes e o quanto eu os amo. E como eu gosto da companhia deles, como eles podem contar comigo para tudo. Por que a rasteira vem sempre do mesmo lado?
Eu sou uma ótima amiga, sou boa de conversar, sou divertida, sou isso, sou aquilo. Legal, adoro receber elogios. Mas não adianta só falar e depois agir de uma forma completamente contraditória. Mas talvez a culpa seja minha. Ausência de orgulho faz mal. Embora a minha psicóloga tenha me convencido de que eu sou assim. Sou emotiva por natureza. Sou sincera e entrego meu coração em tudo que faço. Eu sei disso. Mas eu ser assim está começando a me trazer prejuízos. Na verdade, sempre me trouxe. Mas, é agora, quando tu está mais frágil que tu percebe: será que eu não tenho que ser um pouquinho mais egoísta? Por que o meu orgulho não aparece quando eu preciso dele para levantar a cabeça e dizer para mim mesma: "não, isso não vai me abalar"? Eu sempre me abalo.
Paciência. Nós vamos crescendo e percebendo que amizades são altos e baixos. E que, geralmente, existem mais, com mais força, quando alguma das partes precisa. É, Flávia, nem todo mundo te dá o valor que tu acha que merece. A vida é assim. Pelo menos, a minha vida tem sido assim. Talvez um dia as pessoas lembrem de ti com saudade. E vão falar para si mesmos aquela famosa frase: a gente só dá valor quando perde. Vou começar a praticar isso. Porque parece que dar valor enquanto tem não está dando muito resultado também.
was I invading in on your secrets?
was I too close for comfort?
you're pushing me out
when I wanted in
what was I just about to discover?
when I got too close for comfort
and driving you home
guess I'll never know
