Nunca pensei que fosse entrar nesse teto, afinal, sempre achei que as coisas seguiriam seu curso natural. O normal, o tradicional. Mas, por que esperar o tradicional se nem por um segundo isso foi assim? O caso é: existe uma dúvida muito grande. Das duas partes, na real. Não dá para negar.
Não posso dizer que não me imagino em um relacionamento com status de namoro. Imagino sim. Imagino uma coisa diferente do que eu vejo por aí e do que eu tive até agora. Um relacionamento consistente. Baseado em confiança mesmo. Aquela coisa de "churrasco de família no domingo junto", mas também "vai jogar bola que eu vou ver meus amigos". Dá pra entender? Não sei, mas é isso que eu queria se fosse ter um relacionamento sério agora. Nada de sufoco, mas compartilhar vidas. Ah, sei lá, talvez eu sonhe demais, ou queira uma coisa que eu não tenho condições de ter agora. Mas pra eu me arriscar em algo sério, teria que ser nesse pensamento.
Só que junto com toda essa idealização de uma relação saudável, sincera e madura, vem um pensamento: será que eu quero me prender? Eu não me imagino não passando horas na esef sem fazer nada com os meus amigos. Eu não consigo me imaginar sem as noites insanas ainda. Sem os cinemas marcados em cima da hora, sem os arreganhos... Sei lá. Não sei se tenho condições de abrir mão disso. Não sei se quero abrir mão disso.
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Agora vem o teto contextualizado: essa relação deve evoluir para algo sério e futuramente para um namoro? Repito, tenho certeza que as dúvidas não são só aqui. Pensando em todas as conversas e algo que eu ouvi no fim de semana... Será que vale a pena arriscar essa relação tão única e de tanto retorno? E se depois de tentar percebermos que não devíamos ter arriscado? E se dura pouco e acaba com toda a cumplicidade que existia ali? É muita coisa que me faz pensar. Eu nunca quis "abrir mão" disso. Talvez algo sério não praticamente faria com que toda essa singularidade acabasse? Ah, é tudo muito confuso. E a única coisa que eu não quero é estragar isso. Tenho medo de isso ter dado tão certo pela distância que tem. Eu sou a guria que vai sair no sábado, voltar as seis da manhã, mas acordar meio dia pra ir comer o churrasco na casa da dinda e brincar com as crianças. E só vou voltar de lá as quatro da tarde. Sou também aquela que não gosta de ficar parada, que vai querer conversar, que vai querer inventar alguma coisa pra fazer. Sinceramente, não sei se é compatível. Mas ao mesmo tempo me parece tão complementar. Eu sou muito confusa e essa história me deixa muito confusa. Ok, tenho pauta pra terapia de amanhã. Isso aqui foi só pra tentar me expressar.
É muito sentimento. Muito mesmo. Como eu disse, "de sobra". Mas eu tenho muito medo de estragar. Muito mesmo. É... confuso.

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